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Uma mulher contra Hitler!

por Bernardo Veiga – Instituto Aquinate e UFF.

1. Ficha Técnica: Título Original Sophie Scholl - Die Letzten Tage; Ano, 2005; DiretorMarc Rothemund; Gênero: Drama; Origem: Alemanha; Idioma: Alemão; Duração: 117 min; Distribuidora:  Imovision; Elenco: Julia Jentsch, Charlie Ordonez, J C Miller, Johanna Gastdorf, André Hennicke, Terry Leonard, Fabian Hinrichs, Gerald Alexander, Florian Stetter.

2. Sinopse: Essa produção focaliza um importante pé de página da história germânica acontecido durante Segunda Guerra Mundial. A produção mostra os seis últimos dias de Sophie Scholl, uma jovem de 21 anos que fazia parte da Rosa Branca, um movimento de resistência não-violenta constituído por universitários de Munique. A Rosa Branca não tinha nenhum poder e se limitava a distribuir panfletos, mas o martírio de Sophie e de seus amigos se tornou uma espécie de símbolo da luta contra o nazismo. O coração da fita é o longo interrogatório entre Sophie (a expressiva Julia Jentsch) e o investigador da Gestapo. Ele detesta a ideologia da garota, mas admira sua coragem. Depois acontece o julgamento e os membros da Rosa Branca têm que enfrentar um desprezível juiz. Apesar do inevitável final trágico, a postura consciente de Sophie transmite um tom otimista e confiante. (fonte http://www.cahu.com.br/)

3. Análise: O filme é uma grande defesa, baseada em fatos reais, da verdade e da liberdade das consciências. O mais surpreendente é o diálogo que Sophie mantém com o investigador da Gestapo. Encontramos ali duas posições totalmente diversas: um pensamento democrático cristão, que defendia a liberdade de expressão de forma pacífica, e outro que subordinava a individualidade do povo alemão às leis de um Estado totalitário. Sophie defendia uma liberdade de expressão e a valorização da dignidade humana, totalmente ultrajada pelo regime nazista. E, quase no fim do diálogo, ocorre, por parte do investigador, a categórica afirmação nietzscheana da “Morte de Deus”, pois é praticamente impossível fugir da afirmação de um absoluto nesta terra, como a figura do Führer ou do Estado, sem cair na negação de Deus. E, assim, afirma o papa Bento XVI, quando era cardeal: “‘Irmãos, permaneci fiéis à terra’, dissera Nietzsche, para afastar enfim os nossos olhos do céu e convidar-nos a desfrutar plenamente da terra, sem nada esperar além daquilo que ela nos pode dar. ‘O céu, deixemo-lo para os pardais’, acrescentou Bertold Brecht. E Albert Camus contrapôs deliberadamente o seu programa – ‘O meu Reino é deste mundo’ – às palavras de Cristo: O meu Reino não é deste mundo (Jo 18, 36), e esse foi na verdade o programa de todo um século, pois o nosso século vive de acordo com ele, e em ampla medida nós também vivemos silenciosamente assim.” (BENTO XVI. Homilias sobre os santos. São Paulo: Quadrante, 2007.) O filme retoma a nobreza socrática da morte pela verdade, como fundamento humano e sobrenatural para todas as ações realmente nobres. Ele impressiona pela sua clareza nos diálogos e deixa o espectador interessado e tenso com os acontecimentos. Realmente, sem dúvida, um ótimo filme.