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O cavaleiro das trevas!

por Bernardo Veiga – Instituto Aquinate e UFF.

1. Ficha Técnica: Título Original: The Dark Knight; Ano, 2008; Diretor: Christopher Nolan; Gênero: Ação; Origem: Estados Unidos; Idioma:  Inglês; Duração: 152 min; Elenco: Aaron Eckhart, Christian Bale, Gary Oldman, Heath Ledger, Michael Caine, Morgan Freeman, Maggie Gyllenhaal, Eric Roberts, Christopher Nolan.

2. Sinopse: O Cavaleiro das Trevas reúne o diretor Christopher Nolan e o astro Christian Bale, que reprisa seu papel de Batman/Bruce Wayne em sua contínua guerra ao crime. Com a ajuda do Tenente Jim Gordon (Gary Oldman) e do Promotor Público Harvey Dent (Aaron Eckhart), Batman foca em destruir o crime organizado em Gotham. O triunvirato prova ser efetivo, mas eles logo se acham presas de um ascendente gênio criminoso conhecido como o Coringa (Heath Ledger), que joga Gotham na anarquia e força o Cavaleiro das Trevas para ainda mais perto de cruzar a tênue linha entre ser um herói e um justiceiro. (cahu.com.br).

3. Análise: Claro que ninguém poderia negar um teor um pouco violento. Sem dúvida, é o filme do Batman que mostra a violência de uma forma bem forte e menos infantil. E, antes que possa prejudicar a qualidade, há uma maior tensão entre a clássica história do bem contra o mal. Essa violência mostra que o mundo não é uma simples brincadeira e a questão do dever natural é algo sério, ou melhor, mais sério do que as loucuras risonhas do Coringa. E agora chegamos ao ponto: o filme mostra que há um lúdico espírito doentio, que deseja estar além de qualquer ordem, porque nega a ordem e a natureza própria das coisas. E, por isso, cada um dos personagens pode ser representado pelo pensamento de Sócrates e Nietzsche. Em Sócrates, relacionado com o personagem Batman, a natureza objetiva do mundo mostra que há uma ordem necessária para o sujeito ético, de tal forma que o dever moral é algo possível e conveniente para a humanidade. Contudo, para o Coringa, não há quem consiga resistir às contrariedades que são apresentadas ao sujeito ético. Resistir ao mal é uma escolha que tende cada vez mais a se inclinar para o abismo, porque não há ninguém perseverante o suficiente para conseguir ser invulnerável ao mal. Neste ponto, os dois personagens mantêm posicionamentos opostos. Enquanto o Coringa é pessimista em relação à natureza humana, o Batman defende um certo otimismo. O primeiro crê que é apenas uma questão de tempo a corrupção dos bons, por isso argumenta que não vale a pena adiar o inevitável. Já o herói é partidário de uma perseverança contínua na prática de fazer o bem. Sem dúvida, ambos os pensamentos não possuem uma razão plena, porque o pessimismo do Corinha só deve ser aceito em um mundo onde não há Deus, pois a não-existência de Deus implica uma natureza humana deixada ao próprio desespero. Assim, o pensamento do Batman defende uma natureza sadia demais, além das suas atuais forças. Neste sentido, o pensamento do Batman se mostra como se a graça divina fosse algo natural, o que parece errado, pois nega a ajuda divina ao homem pela graça, como diz São Tomás: “O dom da graça ultrapassa toda a potência da natureza criada. Com efeito, a graça é uma participação na natureza divina, a qual ultrapassa toda outra natureza.” (STh I-II q.112, a.1, rep.) Assim, a graça atua na natureza, e não é a própria natureza, e sim algo dado de graça ao homem pela bondade divina.