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D. Odilão Moura: uma vida dedicada ao tomismo no Brasil!
Prof. Dr. Paulo Faitanin - UFF
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D. Odilão Moura |
D. Odilão nasceu Telmo Bello de Borba Moura, em Lorena, em 2 de maio de 1918, o terceiro dos oito filhos do Capitão José de Borba Moura e Olga Bello de Borba Moura. O pai era muito católico, certamente influenciou muito na sua formação e devoção por Santa Teresinha do Menino Jesus. Sua casa foi sempre frequentada por vários sacerdotes, Padre Morais era muito amigo do pai, padrinho de dois filhos, inclusive do Telmo. Futuramente, Padre Morais seria D. Antônio Morais.
Passou a infância nesta cidade, onde o pai faleceu, em 1932. Ele estudou no Ginásio São Joaquim, em Lorena. Quando concluiu os estudos, veio para o Rio e se matriculou na Universidade do Brasil, para estudar Medicina. Não agüentou um ano, passava mal nas aulas em que tinha dissecação de cadáver. Cursou um ano de Direito, mas não gostou, também. Só então é que entrou para o Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, com mais ou menos 20 anos.
Foi ordenado sacerdote aos 3 de dezembro de 1944 e sua primeira missa foi celebrada na festa da Imaculada Conceição do mesmo ano. Uma de suas primeiras ocupações profissionais foi na Cidade dos Meninos, uma iniciativa da Fundação Abrigo Cristo Redentor, criada por D. Darcy Vargas. Ali, meninos sem família tinham casa, estudos e orientação profissional. O projeto foi ampliado para aceitar meninas. A região abrigou 1600 crianças, numa fazenda dos beneditinos que, em 1915, doaram as instalações - que ocupam cerca de 20 km em Caxias - para a União.
D. Odilão foi chamado a trabalhar na coordenação dessa instituição. Além de abrigar as crianças sem família, ele promoveu a adoção de alguns órfãos. Deve ter permanecido uns bons dez a quinze anos na Cidade dos Meninos, onde foi instalada uma fábrica de pesticidas que acabou obrigando a interdição de toda a região por volta de 1984, devido à contaminação do solo com um organofosforato qualquer.
Depois que saiu da Cidade dos Meninos, passou a dar aulas na PUC e na Santa Úrsula, em cadeiras de Filosofia e Teologia. Ele se aposentou pela PUC, onde era professor de Ética para turmas de Engenharia e de Direito. Quando deixou o Magistério nas universidades, continuou lecionando no seminário em Jacarezinho, no Paraná. Também dava cursos mais rápidos em outros seminários, em Goiania ou Anápolis.
Ele sempre foi muito ativo. Dava aulas de Filosofia e Teologia para leigos e é um dos fundadores da Academia Brasileira de Filosofia, ocupante da cadeira 32. A dedicação ao ensino não o afastou do apostolado, pois ele sempre demonstrou muito entusiasmo em celebrar batizados, casamentos e confissões. Para não se distanciar dos alunos, na universidade, passou a assistir alguma coisa em televisão e ia muito ao cinema.
Ele gostava de nadar, mas como teve diversos tumores malignos na pele, foi obrigado a deixar os banhos de piscina. É muito apegado à família, sempre se prontificou a celebrar os batizados e casamentos dos irmãos, sobrinhos e da terceira geração. Sempre que podia falava de São Tomás de Aquino, mesmo nas rodas de conversas de aniversário ou Natal.
2. Bibliografia: D. Odilão Moura dedicou-se ao apostolado intelectual promovendo traduções de algumas obras do Aquinate. São traduções muito importantes e valiosas por suas soluções lingüísticas, não raro difíceis para quem apenas conhecesse o latim e não o pensamento e o vocabulário do Aquinate. Neste sentido, suas versões são primorosas e referências para as novas edições que sejam publicadas no Brasil. Recordaremos, brevemente, algumas de suas traduções que incluem comentários e notas:
2.1. SANTO TOMÁS, Exposição sobre o Credo. Rio de Janeiro: Presença, 1975; 2a. 3 a. edições. São Paulo: Edições Loyola, 1981;
2.2. SANTO TOMÁS, Compêndio de Teologia. Rio de Janeiro: Presença, 1978; 2a. edição. Porto Alegre: Edipucrs, 1996;
2.3. SANTO TOMÁS, O ente e a essência. Edição Bilíngüe. Rio de Janeiro: Presença, 1981;
2.4. SANTO TOMÁS, Suma Contra os Gentios. Edição Bilíngüe. 1º Vol. Porto Alegre: EST, 1990; 2° Vol. Porto Alegre: PUCRS, 1996.
Destaquem-se as seguintes referências também importantes como introduções ao pensamento tomasiano:
2.5. MOURA, D. O. OSB. São Tomás de Aquino. (Delineamento Hágio-biográfico). Rio de Janeiro: Edição do autor, 1974;
2.6. MOURA, D. O. OSB. Atualidade de S. Tomás de Aquino. Coleção Tema Atual n° 2. Rio de Janeiro: Presença, 1978;
2.7. LEÃO XIII, Encíclica Aeterni Patris. Introdução e comentários de D. Odilão Moura OSB. Coleção Tema Atual n° 43. Rio de Janeiro: Presença, 1981;
2.8. HUGON, E. OP. Os princípios da Filosofia de São Tomás de Aquino. As vinte e quatro teses fundamentais. Tradução e Introdução de D. Odilão Moura OSB. Porto Alegre: Edipucrs, 1998.
Cabe destacar ainda estas obras de grande relevância:
2.9. MOURA, D. O. OSB. Padre Penido. Vida e pensamento. Rio de Janeiro: Vozes, 1995;
2.10. MOURA, D. O. OSB. São João da Cruz: O Mestre do Amor. Rio de Janeiro: GRD, 1991;