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Thomisten lexikon

Thomisten lexikon

Berger, D. Vijgen, J. Thomistenlexikon. Bonn, verlag nova & vetera, 2006, 738 pp. ISBN 10: 3-936741-37-9.

por Paulo Faitanin

Otto Pesch há alguns anos lembrava não haver ainda em nenhum idioma um léxico que reportasse a historia do tomismo (p. iii, nota 1). Coube a David Berger e a Jörgen Vijgen, com a colaboração de diversos pesquisadores de várias instituições de todas as partes do mundo, a preparação e a bela edição de uma das mais importantes e esperadas obras nos últimos tempos sobre o tomismo: O Léxico de Tomistas. Sem dúvida, esta publicação representa efetivamente um marco na história do tomismo.
Esta publicação constitui uma referência bibliográfica segura para a pesquisa do Tomismo. Os autores destacam na introdução desta obra a importância do Renascimento do Tomismo na esteira do que João Paulo II e o atual Papa Bento XVI clamam como doutrina segura eficaz contra os erros do que este último denominou “Ditadura do Relativismo”. Recordam-nos os editores que a Tomás foram outorgados títulos como Apóstolo da verdade e Doutor Humanidade que corroboram ser sua doutrina defensora da verdade e da humanidade (p. iv).
Muito pedagógica é a distinção que apresentam entre a doutrina Tomasiana (de Tomás de Aquino) e a doutrina Tomista (recepção da doutrina de Tomás). Esta última refere-se à interpretação de sua Escola. Uma questão importante foi acerca do critério de seleção dos períodos e dos tomistas. Como propor um léxico tão abrangente? Propuseram seguir uma exposição cronológica da biografia, seguida de uma bibliografia, de cada um dos tomistas que logo depois da morte do Aquinate – e inclusive alguns contemporâneos ao mestre – defenderam, comentaram, disputaram ou fizeram renascer o pensamento do Doutor Angélico ao longo destes mais de sete séculos de sua morte.
Um problema a ser considerado era o de como encaixar os autores que tendo valido da doutrina tomasiana não se constituíram efetivamente nem como defensores nem como comentadores tomistas? Como entender Suárez como um tomista se efetivamente em questões essenciais do tomismo afastou-se dele? O mesmo se diga a respeito de Karl Rahner e de muitos outros. Mediante uma decisão sábia, os editores incluíram, também, tais autores, porque formam parte da história do tomismo, na medida em que de uma forma ou de outra expuseram algo da doutrina tomasiana, ainda que se tenham se afastado dela.
Na história de um pensamento tão rico não se deve incluir só a interpretação dos autores que se anelam ao mesmo, senão inclusive as críticas, pois mediante elas pode-se mais claramente conhecer a força, o vigor de um pensamento. Em outras palavras, deve ser incluído as personagens históricas que contribuíram para os conflitos hermenêuticos inerentes ao seu processo de desenvolvimento. E de fato, isso funciona neste caso, pois mesmo as críticas, fundamentadas ou não, sejam as de ontem ou as de hoje, ajudaram e muito a dimensionar para mais além o interesse pelo pensamento do Aquinate. Não obstante, todos estes pensadores que de algum modo se opuseram o se equivocaram em suas interpretações em detrimento de um afastamento da doutrina tomasiana, foram devidamente identificados como tais seja nos verbetes ou na lista cronológica apresentada no final da obra.
Estabeleceu-se como critério incluir somente os tomistas ou opositores ao tomismo que já haviam morrido, colocando como referência a data de sua morte, bem como o sobrenome pelo qual o autor fora mais conhecido. Quis a providência divina que nesta edição fosse incluído o nome do Papa João Paulo II, morto em 2005. A encíclica Fides et ratio de 1998 constitui uma referência para o seu reconhecimento como tomista, já que alguns não o consideravam como tal. Com páginas de dupla coluna o léxico segue a ordem alfabética dando destaque ao nome, ou aos nomes e mesmo apelativos (apelido), pelos quais foram conhecidos os autores. Apresentam dados bio-bibliográficos de 236 pensadores.
Berger conta-nos das dificuldades de conseguir algumas destas informações: “Quando eu compilava recentemente – junto com outros colaboradores – uma lista de nomes que devem ser incluídos no Léxico de Tomistas, que estou co-editando atualmente, tornou-se claro para mim, pela primeira vez, como pode ser complicado e carregado emocionalmente estas discussões. O editor alemão da coleção dos escritos de Josef Pieper estava tão chateado sobre o fato de que Pieper tinha sido incluído no Léxico, e conseqüentemente foi considerado um ‘Tomista’, que recusou qualquer colaboração. Um famoso estudioso americano reagiu de uma maneira similar a respeito de Godofredo de Fontaine. Estas discussões ocorrem frequentemente na perspectiva do preconceito – o que ainda é comum – que Tomistas a priori são vistos como falsificadores míopes do pensamento autêntico do Aquinate” [“Interpretações do Tomismo através da História”, Aquinate, n. 6 (2008), pp. 45-46]. Isso, contudo, não é suficiente justificativa para deixar de fora tantos outros tomistas, como por exemplo, Régis Jolivet. Se isso não mancha em nada a grandeza desta obra, espero numa próxima edição a revisão e a inclusão destes.

 

 

 

 

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