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Gramática Latina para seminários e mosteiros
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Coelho, F.S. & Ribeiro, M.L.M. Gramática Latina para Seminários e Mosteiros. Niterói: Edição do Autor, 2007, Vol. I, 175 p.
por Amós Coêlho da Silva
Os Autores nos apresentam um plano diligente e corajoso. O método, dito aqui como diligente, parte de um levantamento etimológico do vocabulário latino que se refere à liturgia católica; desde logo, pois, descortina-se a presença da Língua Latina como termos presentes em quaisquer nações onde um culto, instituído para a missa, se constituem vocábulos em paralelo latim-português (Ana, -ae, Maria, -ae, homilia, -ae; agnus, -i; evangelium,-ii; resurrectio, -onis; spiritus,-us) para a situação do idioma do mundo lusofônico, ou hispanofônico – se em espanhol, ou francofônico – se em francês, ou italófono – se em italiano, etc., dentre outros que formam um vastíssimo universo de religiosos no nosso globo terrestre. Essa abordagem semântica dilui e desata as dificuldades que virão no processo de estudo do lado interno, isto é, gramatical do latim: o flexionismo nominal e verbal, emprego das preposições, pronomes etc. – já que os sintagmas selecionados exprimem-se desse modo, por exemplo: Veni videndi Iesu Christi, um sintagma típico de Latim Clássico, comparado a uma realização menos sintética e, por isso mesmo, uma modalidade menos clássica do idioma dos poetas do auge de Roma antiga: Veni videndi Iesum Christum causa, vim por causa de ver Jesus Cristo, ou seja, eu vim para ver Jesus Cristo (COELHO & RIBEIRO, 2007: 132).
E não está aí uma lição de lingüística aplicada? Mutatis mutandis, não seria essa a trajetória das pesquisas lingüísticas mais recentes: a preocupação com a gramática e o léxico numa análise que põe em evidência unidades estruturais, classes e sistema, relacionando o nível da forma à situação extra-lingüística.
Nos anexos, há uma antologia, intitulada Orações do Católico Apostólico Romano e Missa em Latim. Da página 11 à 18, explicita-se a ligação entre o Latim e Igreja.
Trata-se de uma obra munida de uma bibliografia atualíssima, proveniente das melhores bibliotecas sobre tratados do latim, bem como da sua aplicação.
Os professores Flora Simonetti Coelho e Márcio Luiz Moitinha Ribeiro são laboriosos na educação. Dedicaram muitas horas de suas longas experiências de magistério, do respeito que sentem pelos alunos e de entusiasmo, termo este exatamente no sentido etimológico, ou seja, ser levado por transporte divino. Lemos muitos recursos didáticos nos momentos mais difíceis de contato com a Língua Latina, como é o caso da síntese da pronúncia, dos quadros sinóticos das preposições, conjugações e declinações, inclusive a terceira declinação, que nos pareceu bem mais fácil de leitura para o aluno. O mesmo relato breve, mas sempre consistente, foi feito sobre a sintaxe dos casos. Enfim, poderíamos resumir como cada situação lingüística foi planejada pelos autores: a relação paradigmática latina é lida facilmente em sinopses, o que atrairá bastante um iniciante nesses estudos.
Muito os comove a tal labor educacional também o fato de se preocuparem em preencher com humanismo a vida de seus alunos, dado que sobra nos estudos da Língua Latina. Isso não bastasse, também princípios religiosos inspiraram estes dois professores. Incansáveis na devoção pela importância do legado da Língua Latina, numa época materialista, utilitarista e imediatista, em que nossos alunos, mas não por culpa deles, não são orientados mais a parar para a reflexão, a análise e a síntese; enfim, atilar as sutilezas do espírito.
Múltiplas resoluções de educação são apresentadas à sociedade brasileira pelo nosso Ministério de Educação e Cultura. Nelas lemos muitas intenções de mudanças na educação “para melhor”, todas estas mudanças circunstanciadas e respaldadas nos mais recentes conceitos lingüísticos. No entanto, nunca conseguiremos ler uma justificativa da falência e ausência daqueles dicionários editados por um extinto órgão do Ministério da Educação. Havia dicionários da Língua Portuguesa e de Latim, bem como gramática portuguesa... e os balcões de materiais didáticos... Como justificar, outrossim, a falta do Latim, ou apenas os fundamentos elementares latinos, no ensino médio e nas universidades em geral. Nas universidades públicas já existe um acanhamento desses estudos. Nas particulares, que dominam uma maior percentagem da educação brasileira, a timidez é maior ainda. Isso leva aos professores da área uma grande dificuldade: suprir a lacuna de seus alunos com recursos didáticos especiais. Nisso mesmo encontramos o árduo trabalho dos autores.
Professores, parabéns! Pergite ut incepistis, diligenter et audacter vos ipsos Deo commendantes! Continuai como começastes, diligente e corajosamente vós mesmos confiantes em Deus!
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