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Devoção: o que é?

Paulo Faitanin - Depto. Filosofia UFF

devoção

1. Definição: Por devoção entende-se o ato de dedicar-se, consagrar-se a Deus, com zelo, mediante a prática de um ato interno. Em sentido estrito, a devoção não é outra coisa que a vontade pronta para se entregar a tudo o que pertença ao serviço de Deus. Portanto, diz-se que a devoção é um ato interno da virtude da religião [STh.II-II,q82,a2,c], porque é um ato especial da vontade [STh.II-II,q82,a1,c].

2. Análise: A devoção é, pois, o ato da vontade do homem que se oferece a Deus, enquanto último fim, para servi-Lo [STh.II-II,q82,a1,ad1]. O que causa a devoção? Dupla é a causa da devoção: uma extrínseca, que é Deus e uma intrínseca, que está em nós, que é a meditação ou contemplação [STh.II-II,q82,a3,c].

Por meditação entende-se o processo da razão, a partir de alguns princípios, por cuja reflexão gera-se um estudo próprio, pertinente à contemplação de alguma verdade [STh.II-II,q180,a3,ad1].

Por contemplação entende-se o ato da sabedoria que intui a verdade, ou seja, aquele ato do intelecto de meditar sobre as verdades divinas [STh.I,q10,a3,ad1;q26,a4,c;q179,a1,ad3;II-II,q180,a3,ad1]. O efeito próprio da devoção é a virtude da alegria, que neste caso é virtude anexa à virtude da religião.

Mas acidentalmente pode causar a tristeza, enquanto condolência pelos males de outrem ou do mundo contra Deus, como a contemplação da paixão de Cristo, pela consciência dos próprios defeitos, como as faltas cometidas nesta vida, ante à contemplação da bondade divina, ou mesmo a tristeza que sentem aqueles que não fruem plenamente de Deus [STh.II-II,q82,a4,c; ad1 e ad2].

As lágrimas brotam do sentimento de tristeza que decorre da devoção, ante à meditação e contemplação das nossas misérias, diante da bondade de Deus [STh.II-II,q82,a4,ad3].