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Impressões digitais genéticas e a metafísica!
Paulo Faitanin - Depto. Filosofia/UFF
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1. Questão: Duas pessoas apresentam traços fisionômicos diferentes que permitem distingui-las facilmente. Caso fossem gêmeos homozigóticos (clones naturais!) haveria de encontrar uma outra diferença. Todas as pessoas presentes numa praça apresentam dessemelhanças mesmo que algumas parecessem fisionomicamente. Ainda assim seriam distintas umas das outras. Segundo aproximações e distanciamentos das semelhanças seria possível agrupá-las, apesar de podermos ser surpreendidos por falsas aparências. Haverá então algum método que de forma segura nos permita identificar, distinguir e estabelecer laços de parentesco não só entre cada uma das pessoas presentes naquela praça, mas entre todos os seres humanos do planeta?
2. Análise: A ciência e a metafísica aproximam-se cada vez mais em diferentes áreas e temas do conhecimento. Em biologia, por exemplo, a técnica de impressões digitais genéticas, revela-nos a discernibilidade dos indivíduos. Sabemos que a individualidade física tem seu fundamento na metafísica. Ora, segue-se disso uma estreita relação entre a biologia, no que se refere à genética, no uso da técnica das impressões digitais e a metafísica da individualidade humana. O que é esta técnica? Técnica de identificação de porções de DNA, também designada por DNA fingerprint. Baseia-se no fato de existirem no DNA seqüências repetitivas de bases, denominadas zonas de restrição. A partir de uma amostra de material biológico que contenha DNA faz-se a extração desta molécula. Posteriormente, utilizando enzimas de restrição, o DNA é fragmentado em pedaços. Os cortes ocorrem onde existem seqüências de bases repetitivas que correspondem a zonas de transição. Uma solução deste DNA é colocado num campo elétrico apropriado, onde as porções se separam umas das outras e posteriormente podem ser visualizadas com o aspecto de bandas. Obtém-se assim uma amostra semelhante ao código de barras dos produtos comerciais. Cada indivíduo possui o seu próprio código. Para além de problemas relacionados com a filiação biológica, esta técnica tem sido muito utilizada pela ciência forense [Castro, Aldamiro, Dicionário de Ciências Biologia e Geologia. Porto: Porto Editora, 2001, pp. 189-190].
Metafisicamente falando, cada indivíduo constitui uma realidade única, irrepetível e intransferível. Ora, a ciência comprova isso, pelo menos no campo da física e da biologia, com a técnica das impressões digitais genéticas. Aristóteles e Tomás de Aquino haviam tratado do tema em suas propostas metafísicas de individuação da substância. Segundo Tomás de Aquino a individualidade humana, por exemplo, dá-se a partir da união substancial da alma com o corpo, embora seja o corpo que conferirá o limite quântico espacial do corpo. Pois bem, a individualidade física do corpo é o que comprova a individualidade genética do indivíduo, já que o corpo organicamente estabelecido não é outra coisa que uma substância corpórea individual, como ensina a metafísica. Sendo assim, a atual comprovação genética pelas impressões digitais genéticas constitui uma prova da tese metafísica que afirmava ser o corpo individual, com uma tal individualidade que nenhum outro corpo fosse idêntico a ele mesm, ainda que possa ser semelhante em algo, sem negar efetivamente suas respectivas diferenças. Enfim, é impossível afirmar a individualidade sem consentir com as diferenças!