![]()
© 2005-2008 Aquinate.
|
Portal Aquinate>>Tomismo>>Antitomistas>>Guilherme
de Ockham |
Guilherme de ockham: príncepe dos nominalistas [1280-1349]
|
|
Vida:
Guilherme de Ockham nascido no condado de Surrey, na aldeia de Ockham, a
vinte milhas de Londres, pelo ano de 1280, Guilherme ingressou na ordem
franciscana com pouco mais de vinte anos de idade. Realizou seus estudos
universitários em Oxford, onde comentou as Sentenças de Pedro
Lombardo, conseguindo o título de Baccalaureus sententiarum
em 1318. Entre 1317 e 1324, escreveu a Lectura libri sententiarum,
a Expositio aurea e a Expositio super physicam,
como também a Ordinatio e os Quodlibetales. Em
1324, Ockham transferiu-se para o convento franciscano de Avignon, onde
o papa João XXII o convocou para responder à acusação
de heresia. Com efeito, o ex-chanceler da Universidade de Oxford redigira
longa lista de pontos extraídos dos escritos de Ockham, considerados
suspeitos de heresia. Depois de três anos de estudo, a comissão
nomeada pelo papa para examinar os escritos condenou sete pontos como heréticos,
trinta e sete como falsos e quatro como temerários. Nesse período
Ockham concluiu suas obras maiores, a Summa logicae e o Tractatus
de sacramentis.
Nesse meio tempo, sua posição se agravara ainda mais, porque
na polêmica surgida no interior da ordem franciscana, sobre o problema
da pobreza, Guilherme se alinhara com a ala intransigente, que rejeitava
asperamente a orientação moderada do papa. Assim, prevendo
severas sanções, em maio de 1328, Guilherme foge de Avignon
e se abriga junto a Ludovico, o Bávaro, em Pisa, ao qual parece ter
dito: Tu defendes-me gladio, ego defendam te calamo. Seguindo o
imperador, estabeleceu-se depois em Munique da Baviera, onde morreria em
1349, vítima de epidemia de cólera.
Durante esse período, no qual não escreveu mais sobre filosofia,
produziu muitas obras polêmicas de tema político-religioso.
Recordemos o Opus nonaginta dierum e o Compendium errorum papae
Johannis XXII, onde defende um conceito rigoroso de pobreza contra
a postura conciliatória do Pontífice; o Breviloquium de
potestate papae e o Dialogus (originalmente em três
partes, mas que chegou até nós incompleto), onde fala da possibilidade
de depor o Papa no caso de ele tornar-se herético e das relações
entre o Papa, o Concílio e o Imperador. Além disso, também
o Tractatus de jurisdictione in causis matrimonialibus e o De
imperatorum et pontificum potestate.
Doutrinas: A figura que mais do que qualquer outra representa as múltiplas instâncias com que se encerra a Idade Média e se abre o século XIV é o franciscano Guilherme de Ockham. Conhecido como "o príncipe dos nominalistas", no passado ele era lembrado o mais das vezes como teórico de vãs sutilezas, privadas de qualquer contato com a realidade. Logo, porém, sua originalidade emergiu novamente nas várias vertentes do saber lógico, científico, filosófico e teológico. Além de suas contribuições lógicas, também se destacam suas teorias físicas e, sobretudo, a concepção do conhecimento físico de natureza especificamente empírica, bem como a separação entre a filosofia e a teologia; no campo político-religioso, a autonomia do aspecto temporal em relação ao espiritual, com suas conseqüências políticas e institucionais. O espírito "laico", mas não "laicista", se inicia com ele, porque, com sua doutrina e sua vida, ele encarna a incipiente afirmação dos ideais de dignidade de cada homem, do poder criador do indivíduo e da cultura em expansão, livre de censuras, idéias que a nova época do Renascimento desenvolverá. Se opõe a Tomás de Aquino basicamente com teses: 1a. Ockham defende a autonomia da fé e da razão o que o leva a difundir a teoria da dupla verdade; Tomás sustenta que fé e razão se conciliam, embora sejam campos distintos de conhecimento; 2a. Ockham afirma que o conhecimento é individual; Tomás sustenta que é dos universais; 3a. Ockham estabelece uma sucessiva subdivisões do conhecimento; Tomás o divide em abstrato-universal e concreto-singular; 4a.Ockham afirma que os universais são nomes; Tomás diz que os universais são conceitos abstratos e que expressam a essência das coisas conhecidas; 5a. Ockham sustenta que os entes não se devem multiplicar se não for necessário, critica os conceitos de substância, acidente, causa e efeito; Tomás admite a distinção e multiplicidade de entes; 6a. Ockham propõe uma nova lógia; Tomás afirma a primazia da lógica aristotélica; 7a. Ockham critica as provas a posteriori da existência de Deus e propõe a prova da existência de Deus baseada sobre causas conservantes; Tomás expõe e desenvolve as provas da existência de Deus a partir de argumento e demonstração a posteriori; 8a.Ockham afirma que só a credo por um lado e intelligo por outro lado, sem possibilidade de síntese e concílio; Tomás insiste na conciliação de fé e razão, já que o conteúdo da fé revelada não é alheia, embora transcenda, a à razão humana; 9a. Ockham inspira o individualismo político e a falibilidade papal; Tomás sustenta o princípio do bem comum como norteador da vida política, respeitando as difernças individuais, além do poder do sumo pontífice; 10a. Ockham não crê necessário buscar um princípio de individuação para os seres, já que todos são individuais; Tomás admite um princípio de individuação para as substâncias, porque distingue nas substâncias natureza e suposto.
Obras: Dialogus, Paris 1478; Quodlibeta septem, Paris 1487; Summa logicae, Paris 1488; Sentenzenkommentar, Lyon 1495; Expositio aurea. Bologna 1496; Summulae in libros physikorum, Rom 1637; Tractatus de potestate imperiali. - Werkausgaben: Opera plurima, 4 Bde., Lyon 1494-98, Nachdr. London 1962; Kirchenpolit. Streitschriften. In: Monarchia S. Romani Imperii, 3 Bde., 1611-14; Compendium errorum Joannis XXII, Frankfurt 1614, Nachdr. 1959 u.ö.; Richard Scholz, Unbekannte Streitschriften aus der Zeit Ludwigs des Bayern, 2 Bde., 1911-14; J. Sikes, R. Benett, H. Offler, Krit. Ausgabe der polem. Schriften 1940; Opera politica, 3 Bde., hrsg. v. J. Sikes u.a. 1940/1966; Philotheus Boehner, G. Gâl, F. Brown, Opera Philosophica et Theologica, St. Bonaventure 1967; Summe der Logik, Lat. /Dt. Parallelausg. über die Termini T 1 I, hrsg. Peter Kunze, Hamburg 1984; W. v. O., Texte zur Theorie der Erkenntnis und der Wissenschaft, Lat./Dt., hrsg. Ruedi Imbach, Reclam 1984; W. v. O., Kurze Zusammenfassung zu Aristoteles Büchern über Naturphilosophie, Berlin 1987; W. v. O., Opera politica, Yale liberary of medieval philosophy, Quodlibets 1-4, 5-7, 1991; W. v. O., `Dialogus', Auszüge zur polit. Theorie, Hrsg. Jürgen Miethke, 1992; Jan P. Beckmann, Ockham-Bibliographie 1900-1990, Hamburg 1992.
Referências: Simon Moser, Grundbegriffe der Natuphilosophie bei W. v. O., 1932; - Ernst A. Moody, The logic of W. of O., London 1935; - Ders., Truth and Consequence in Medieval Logic, Amsterdam 1953; - Hans Köhler, Der Kirchenbegriff bei W. v. O., Diss. Leipzig 1937; - Richard Scholz, W. v. O. als polit. Denker, 1944; - Erwin Iserloh, Gnade und Eucharistie in der philosoph. Theologie des W. v. O., 1956; - William & Martha Kneale, The Development of Logic, Oxford 1962; - Ralph G. Turnbull, O.s Nominalistic Logic. In: The New Scholasticism 36, 1962; - Georges de Lagarde, La naissance l'esprit laique an déclin du moyen àge, 4-6 ebd. 1942-46, Neuausg. 4 u. 5, Löwen/Paris 1962/63; - Elilius M. Buytaert, The Tractatus logicae minor of Ockham. In: Franciscan Studies 24, 1964; - Gareth B. Matthews, O.s Supposition Theory and Modern Logic. In: The Philosophical Rewiew 73, 1964; - S. Rabade Romeo, Guillermo de O. y la filosofia del siglo XIV., Madrid 1966; - Jan Pinborg, Die Entwicklung der Sprachtheorie im MA, Münster-Kopenhagen 1967; - Ders., Logik und Semantik im MA, Stuttgart 1972; - I. Boh, Burleigh and Ockham: An Ontological Confrontation. In: Procedings of the VIIth Inter-American Congress of Philosophy, Bd. 2, Quebec 1968; - T. Andres, El nominalismo de Guillermo de Ockham como filosofia del lenguaje, Madrid 1969; - G. Giacon, La suppositio en Guglielmo di. O. e il valore reale delle scienze. In: Arts liberaux et philosophie an moyen âge, 939-947, Montreal-Paris 1969; - J. Miethke, O.s Weg zur Sozialphilosophie, Berlin 1970; - Alois Dempf, Metaphysik des MA.s, Oldenburg 1971; - Ders., Die Naturphilosophie O.s als Vorbereitung des Kopernikanismus, Bayer. Akademie d. Wissensch. 1974; - P. V. Spade, O.s rule of supposition. Two conflicts in his theory. In: Vivarium 12, 63-73, 1974; - Ders., Some Epistemological Implications of the Burley-Ockham Dispute. In: Franciscan Studies 35, 212-222, 1975; - H. W. Enders, Sprachlogische Traktate des MA.s und der Semantikbegriff, München-Paderborn Wien 1975; - Ders., Nominalistische Positionen und ihre Entwicklung im ma. Universalienstreit. In: Wissenschaft und Weisheit, 189-219, 1976; - Gordon Leff, W. of O., The metamorphosis of scholastic discourse, Manchester University Press 1975; - Klaus Bannach, Die Lehre von der doppelten Macht Gottes bei W. v. O., 1975; - Vladimir Richter, Zu O.s naturphilosoph. Schriften. In: Proceedings of the XVth World Congress of Philosophy, Varna 1973, Sofia 1975; - Ders., O. und Moderni zur Universalienfrage. In: Zeitschrift für kath. Theol. 100, 1978; - M. Mc. Cord Adams, What does O. mean by `supposition'. In: Notre Dame Journal of formal Logic 17, 375-391, 1976; - Guido Küng, Nominalistische Logik heute. In: Allgemeine Zeitschrift für Philosophie 2, 1977; - E. Karger, Conséquences et inconséquences de la supposition vide dans la logique d' O. In: Vivarium 16, 46-55, 1978; - A. Greddoso/H. Schuurmann, O.s Theory of Propositions (Part II of the Summa logicae), Notre Dame 1980; - Peter Kunze, Satzwahrheit und sprachliche Verweisung, Diss. Freiburg i.Br. 1980; - Kurt Flasch, W. v. O. In: Ders., Das Mittelalter (= Geschichte der Philosophie in Text und Darstellung, hrsg. v. R. Bubner, Bd. 2), Stuttgart 1982; - Ders., Das philosoph. Denken im MA, Stuttgart 1986; - Otl Aicher/Gabriele Greindl/Wilhelm Vossenkuhl, W. v. O., Das Risiko modern zu denken, G. Callwey 1986; - Dominik Erler, Praedestination, Zeit und Kontingenz. In Bochumer Studien zur Philosophie 12, Amsterdam 1988; - Wilhelm Vossenkuhl/Rolf Schönberger, Die Gegenwart O.s, Weinheim 1990; - Hans Ulrich Wöhler, Die Erneuerung des Nominalismus durch Wilhelm von Ockham und die Folgen. In: Geschichte der mittelalterl. Philosophie, 155-164, 206-212, Berlin 1990; - Taina M. Holopainen, W. Ockham's theory of the foundations of ethiks, 1991; - Alessandro Ghisalberti, Introduzione a Ockham, 2. ed. 1991; - Peter Schulthess, Sein Signifikation und Erkenntnis bei W. v. O., 1992; - Matthias Kaufmann, Referenz und Wahrheit bei W. v. O., 1992; - Dictionaire des Philosophes, 1959-f., Paris 1984; - Überweg II, 342 ff; - LThk X, 1142 ff.; - EncRel XV 383 f.; - RGG IV, 1556 ff.