Cadernos da Aquinate

O Valor do Sofrimento: “As pessoas sofrem! Isto é indiscutível. Cada um conhece o sofrimento que tem porque o experimenta individualmente. Impressiona-me como certas pessoas conseguem, apesar da dor que sentem, tornarem-se cúmplices da dor alheia. Justificam que a oração e o serviço colocam-nas em intimidade com a dor de Cristo e que isso as ensina algo do mistério da dor humana. Qual mistério? O da redenção humana, que a razão percebe tocada pela fé, mas não soluciona, porque ele não é um problema que ela resolva segundo os seus princípios. Contudo, os princípios da razão pelos quais ela conhece a verdade natural, são exigidos conciliados com os da fé para tentar elucidar, o quanto seja possível, esta verdade divina revelada ao homem: o sofrimento humano tem valor sobrenatural. Tais pessoas sabem mais por experiência do que por ciência daquilo que aqui se estudará. Para este estudo é-nos necessário recordar algumas idéias – tão caras e úteis à vida cristã – que nos foram herdadas da tradição, especialmente do ensinamento filosófico-teológico de Santo Tomás de Aquino, que nos ajuda a analisar o sentido, a causa e a finalidade do sofrimento humano, na medida em que o descobrimos pedagógico e soteriológico”.

A Sabedoria do Amor: “O objetivo deste texto editado em Cadernos da Aquinate n° 2 é apenas recordar a doutrina filosófica de Tomás, destacando o modo como ele procurou estabelecer a relação entre razão, ciência e fé e apresentá-la como um modelo eficaz de doutrina que auxilia a filosofia atual a considerar que é possível esta harmonia. Alguns setores do pensamento contemporâneo não vêem possível tal conciliação porque consideram Deus exilado da vida do homem e/ou porque exaltam a pretensa supremacia da razão como único critério de verdade. Sabemos que algumas doutrinas se opuseram à exaltação da razão teórica como Nietzsche e Marx, na medida em que propuseram a substituição da autonomia da razão teórica defendida pelo idealismo, seja pela autonomia da vontade, seja pelo retorno à ação revolucionária. Posteriormente, alguns séqüitos da doutrina nietzschiana propuseram ainda a autonomia dos sentimentos humanos, como forma derradeira de efetiva auto-afirmação do homem. De um extremo se foi ao outro, pois a negação da exaltação da razão teórica culminou com a exaltação da razão prática, como se viu no positivismo e no utilitarismo, que reduziram o sentido da existência e da atividade humana à produção de bens de consumo úteis para a vida do próprio homem. A proposta de Tomás será apresentada como um pensamento que vai de um mero ‘amor à sabedoria’ a uma autêntica filosofia entendida como ‘sabedoria do amor’. Sua filosofia não se exime da análise dos temas próprios da razão, da fé e da espiritualidade humanas. Seu pensamento culmina com a contemplação da verdade em Cristo e na prática do seu ensino, na medida em que concilia a verdade da razão com a da fé”.

O Ofício do Sábio: “O ofício do sábio é investigar, aprender, contemplar e ensinar a verdade. Esta tarefa não compete só ao filósofo, teólogo ou ao cientista, mas a todas as pessoas, porque todos os homens são chamados à sabedoria. Contudo, se atribui este ofício particularmente ao filósofo, por ser a filosofia uma sabedoria e o filósofo um amante do saber. No atelier da razão, cabe ao filósofo ordenar tudo quanto possa e esteja ao seu alcance para conhecer a verdade. A sabedoria filosófica, enquanto tal, não sendo um dom sobrenatural, mas uma virtude conquistada pelo esforço natural da razão, tem por único alimento necessário a verdade, que lhe nutre, dá saúde e causa a sabedoria, por cuja posse também se adquire a firmeza e a certeza no espírito. A ignorância é a enfermidade que decorre da privação de sua posse. O objetivo deste Caderno é justamente apresentar o modo como Tomás traçou a sua meta para adquirir a sabedoria e como exerceu o seu ofício de sábio, cuja felicidade alcançada coincide com a santidade. Pretende-se oferecer poucas idéias úteis que nos ajudem a refletir sobre o modo de estudar e de ensinar segundo Tomás. Espera-se que isso nos revele algo de sua metodologia e do seu itinerário para a sabedoria e santidade”.

O Único Necessário: “A narrativa cristã conta-nos a história de agonia e êxtase do homem: agonia iniciada com o pecado e êxtase, com a caridade. Antes que o homem pecasse, Deus o amava, por isso, depois da sua queda, revelou-Se ao homem, mediante Sua palavra de amor. Sua revelação tornou-o consciente de que Ele o amou com um amor ciumento desde sempre e o queria por inteiro para todo sempre. Como prova deste amor, no tempo oportuno, encarnou Sua Palavra de Amor na carne humana: Cristo. O amor encarnado, antes da sua ascensão, deu ao homem, pela efusão do seu Espírito, a caridade, que o permite participar do êxtase do amor de Deus pelo homem. Esta íntima participação causa-lhe no espírito um êxtase semelhante àquele divino, pois o coloca para fora de si, não lhe permite mais ser de si mesmo, mas somente daquele que o ama. Causa-lhe também uma efetiva epifania do amor divino, levando-o à conversão, promovendo o êxodo do orgulho e a sua salvação. A permanência neste amor permite ao homem alcançar a perfeição da vida espiritual, mas exige, em contrapartida, um espírito dócil, livre, responsável. Sendo um dom sobrenatural criado e necessário para a salvação do homem, não se adquire ou se mantém a caridade apenas com as forças naturais do homem. E para que isso não o desanimasse em sua caminhada, o mesmo Espírito de Amor  deu a todos e sob diversas formas dons para conservá-la, fazê-la crescer, sem que ninguém ficasse excluído de possuí-la, sob alguma forma ou intensidade. O único necessário para a salvação do homem é a caridade, pois ela liberta o homem da escravidão do pecado e o insere na perfeição da graça. Segundo a disposição e o esforço humano que a acolhe, ela se apresenta conforme diversos graus: principiante, proficiente, perfeita. Mas duas são as vias a partir das quais ela se desenvolve e cresce. A via ascética, que pela caridade purifica e soergue o espírito puxado pela ‘gravidade’ do pecado. E a via mística, que pela caridade sustenta e aperfeiçoa o espírito, elevando-o pela ‘leveza’ da graça, conduzindo-o à contemplação e à união com o amor divino. O objetivo deste Caderno é apresentar a via de perfeição da vida espiritual,segundo Tomás de Aquino”.

A Hierarquia Celeste: “A existência do Anjo é uma verdade de fé. O nome Anjo significa mensageiro e não identifica a natureza do ser espiritual que ele é, mas a sua função. Deste modo, o seu ser é espírito e o seu ofício é anjo. É espírito pelo que é e anjo pelo que faz. Foi criado à imagem e semelhança de Deus para servi-lO com a sua inteligência e vontade. O santo anjo serve a Deus, contempla a Sua glória, testemunha, guarda, anuncia e executa a Sua Palavra no governo e conservação do universo. Serve a Deus também servindo ao homem, criatura que Deus quis por si mesma e que também representa em sua natureza, a modo de imagem e semelhança, a perfeição de Seu Filho. Ora, Cristo é a Palavra de Deus que se fez homem. Portanto, Ele é o centro da existência dos anjos e dos homens, porque por Ele todas as coisas foram feitas, as visíveis e as invisíveis. Um Anjo fiel a Deus foi deixado para cada homem, do nascimento à morte, como guardião e núncio dos mistérios para a sua salvação. Mas nem todos os Anjos foram fiéis desde o princípio. A soberba de querer igualar-se a Deus e a inveja do amor de Deus pelos homens fizeram com que alguns deles livremente se desviassem do amor divino e se opusessem a Cristo e, concomitantemente, à Virgem, Mãe de Cristo, e aos homens, Seus irmãos. Tomás dedicou-se profundamente em sua obra ao estudo dos Anjos. Fiel às Escrituras, à Tradição e ao Magistério da Igreja, conciliando a verdade da fé com a da razão retamente estabelecida, o Aquinate sistematizou o estudo da origem, natureza, faculdade, poder, missão e hierarquia destas criaturas espirituais. Seu trabalho sobre os Anjos justificou atribuir-lhe o mais nobre e conveniente título: Doutor Angélico. A hierarquia celeste é um breve estudo sobre a ordem das criaturas espirituais no céu. Deus é supremo e está fora de qualquer hierarquia e ordem, por isso não é colocado dentro de uma hierarquia, senão que Ele mesmo é causa de toda hierarquia e ordem, tanto celeste quanto terrestre. Este caderno procura apresentar o modo como se estabelece a hierarquia e a ordem celestes dos Santos Anjos, segundo o pensamento de Tomás de Aquino. Procura também analisar o mesmo com respeito aos anjos maus, quanto à sua queda dos céus e destinação eterna. Muitas vezes esquecidos, negados, mal entendidos, reduzidos a símbolos, mitos ou a fenômenos psíquicos, é sempre oportuno recordar a verdade sobre o que são os anjos. E já que não posso dedicar-me a louvar os santos anjos como conviria, para que não seja inútil o uso deste tempo, escrevo ao menos para recordar a doutrina do Aquinate sobre os anjos.”

Opúsculos Filosóficos : “ Tomás de Aquino deixou-nos uma série de pequenos livros − em latim “opuscula” − sobre assuntos diversos de grande interesse. Temas como o ser, a natureza, o mundo, a eternidade, a inteligência, a matéria, a individualidade, entre outros, foram tratados com particular objetividade nesses “livretos”. Existem somente duas edições completas ou parcialmente completas destes opúsculos: uma francesa e outra espanhola. Recentemente, foram publicadas pela Universidade de Navarra, traduções para o espanhol, inéditas, de alguns opúsculos. A presente edição resulta do desejo de oferecer aos amantes da boa leitura que almejam uma formação filosófica sólida; aos alunos que se inciam nos estudos filosóficos e desconhecem estes opúsculos, notáveis fontes de saber; aos pesquisadores da filosofia moderna e medieval que buscam a continuidade para os nossos dias dos princípios tomistas, um instrumento de trabalho, acompanhado do texto latino, hoje em dia totalmente necessário.”

OPÚSCULOS FILOSÓFICOS 
Peso:  550 gr, Numero de Paginas 354

Valor: R$ 67,00 + Frete

A Ordem do Universo: “Ora, a origem do universo por criação supõe uma causa e uma ordem, pois do acaso não poderia sair nenhuma causa e do caos nenhuma ordem. Portanto, o universo só pode ter sua origem por causalidade, na medida em que se lhe exige uma causa para õ seu ser, enquanto este ser lhe imprime uma ordem e um fim. Conclui-se apontando para a necessidade de pensar um universo que tem por origem alguma causa que obviamente lhe seja anterior e mais perfeita do que ele, a ponto de ser capaz de lhe dar o ser como perfeição e providenciar tudo quanto seja necessário para o seu governo. Desta maneira, a causa que lhe deu o ser não só já existia antes que o universo viesse a ser, senão que também deu o ser segundo uma ordem, que é conveniente a todo ser, como efeito proporcional à causa. Tudo isso leva a concluir que o universo é temporal e teve a sua origem por uma causalidade que aponta para a doutrina da criação. Toda a explícita complexidade do universo segue-se de uma ordem implícita existente na matéria que o compõe. Para Tomás o universo é um todo ordenado que não exclui nada que lhe seja materialmente semelhante’7 . Este todo resulta de uma ordem implicada entre as partes. Trata-se de uma totalidade que é uma unidade na diversidade das partes, que revela uma hierarquia e uma harmonia entre as partes, portanto uma beleza. Para além de uma ruptura entre a filosofia e a ciência em nossos dias, a Cosmologia tomista é atual, não por partir dos princípios da ciência do seu tempo, muitos deles revistos hoje, mas porque apresenta um sistema dó conceitos metafísicos que são plenamente compatíveis com as teorias científicas contemporâneas. A Ordem do Universo é um breve estudo sobre a origem e a natureza do universo, que concilia a fé e razão”